2.1.17

SALAS BAJAS 
Ed. digital [en castellano], Enfermaria 6, 2017 


"Mar de muros, el tiempo del fraseo cuando entona el poema y se adentra en sus modos y materiales. Habitar el oleaje que no acaba, sus mecanismos, el pedal del supertubo. Salas Bajas: barrio de Salamanca ubicado en el margen sur del río Tormes y nombre del complejo deportivo universitario allí situado. También, aunque más lejos, un municipio en la provincia de Huesca, Aragón. Y salas bajas, otros planetas y marejadas, las del lenguaje posible." 

"ADMIRAS LOS CANTOS Y EL OLEAJE, la resaca de las astillas convertidas en casi abrazo, casi faro, locas manos, el carnaval del santo o la curva de septiembre, párpados aventureros y bailados, que ahora por gramática o instrumento tu escultura, me basta el contorno de la fantasía, poblar muy duro el arenal inmenso, tus aventuras, que aquí florarán nuestros baluartes y resistencias."

Edición digital, descarga gratis aquí.


SUPERTUBOS | poemas 2005-2015 
Prefácio de Rui Alberto Costa
Enfermaria 6, Lisboa, 2015 

[...] 8- É preciso “ver torto” e ler torto, são poemas em movimento, “mexem bastante”. Não nos levarão à “terra do nosso regresso”. Como podemos fiar-nos num verso que diz “sopra tão limpo cruel o fabuloso”? Mesmo com “pés gigantes e bronzeados”. Talvez as frases sirvam apenas de contraste ao “silêncio crepuscular”, o corpo é que tem de se bambolear à procura de um equilíbrio que evite uma e outra vez quedas na calçada, isto até chegar ao baloiçamento do barco (ou à biomecânica do ciclista em dia de montanha), mar a toda a volta, por cima e por baixo, esse mar infinito sem fronteiras que interrompam o viajante. [...] 

"Do vigor irremediável da presença nómada", texto de Víctor Gonçalves lido na apresentação de Supertubos | poemas 2005-2015, agora disponível na página web da Enfermaria 6: aqui[info fnac online]



ONDE FINGIMOS DORMIR COMO NOS CAMPISMOS
Enfermaria 6, Lisboa, 2014 

Primeira série, 61 exemplares, numerados e chancelados de 01 a 61. Ciclo de lançamentos e leituras: Lisboa, 5 de Dezembro de 2014, no Vélocité Café, por Rui Zink; Salamanca, 10 de Dezembro de 2014, na Biblioteca Pública Casa de las Conchas, por João Guerreiro e Lina Rodríguez Cacho. Sobre o livro, vide texto de apresentação, por Rui Alberto Costa, esta leitura visual de Rui Zink, uma breve antologia de Ricardo Domeneck no blog "modo de usar", esta ilustração ao poema "Uma estrela igual", esta nota na imprensa de Salamancaestoutra, umas quantas entradas no livro. "Onde fingimos dormir como nos campismos" está também disponível para leitura em formato online, bastando para tal seguir o seguinte link. Mais informação sobre a edição, pontos de venda e encomendas ao editor, aqui




UMA PEDRA PARECIDA
Prefácio de Manuel Margarido 
Do Lado Esquerdo, Coimbra, 2013

Sobre o livro, do qual se imprimiram 100 exemplares, algumas observações de Manuel Margarido, que também assina o prefácio: "Segundo livro da chancela «do lado esquerdo», Uma pedra parecida surge, numa tiragem tão exígua como rara é a cintilação desta obra de Hugo Milhanas Machado, autor de trabalho poético já considerável e senhor de uma linguagem e voz tão próprias que se poderiam tomar por galhardias, facilidades ou divertimentos. Longe disso, como tentei enunciar no prefácio e, melhor que eu, de si mesma dá conta a obra do autor, que se contrói em refutação de aparente desembaraço. As fascinantes ocupações do livro são um desafio, desde logo no entendimento do jogo da sua sintaxe, linguagem, voz que se faz em si mesma, autor sem epigonismo. [...]"




AS JUNÇÕES
Artefacto, Lisboa, 2010







ENTRE O MALANDRO E O TRÁGICO
Sombra do Amor, Lisboa, 2009

Escreve Manuel Margarido: "Em 2009, Hugo Milhanas Machado publicou “Entre o Malandro e o Trágico”, depois de “Poema em Forma de Nuvem” (2005); Masquerade” (2006); “Clave do Mundo” (2007); “À cama com Portugal” (tríptico policopiado: 2009). O livro de que aqui se fala, tarde e a más horas, é certo, engloba um conjunto de poemas (25) que são ‘recuperados’ da produção destinada a “Clave do Mundo”. Não são sobras, porém. Formam um conjunto formal e tematicamente coeso e de contagiante alegria. Versos cadenciados, rápidos e de uma destreza fonética de pendor quase lúdico, na muito lúdica sintaxe deste autor. Que, da mesma forma aparentemente ligeira como elabora os seus poemas, ligeiras temáticas parece abordar: as peripécias da infância; os lugares do crescimento, por vezes cristalizados em curtos poemas de intensa expressividade; um jogo construtivo de quem, de novo aparentemente, se não leva a sério, ou pelo menos ao trabalho poético. As aparências enganam. E falando de Hugo Milhanas Machado, o engano é rotundo. A ligeireza é, na verdade, uma intensa e vibrante leveza. O que torna tudo muito diferente. Não percebo, de resto, por que razão há-de ser matéria poética mais universal e relevante, digamos, um vómito solitário nas escuras ruas de Lisboa após um cigarro, após um copo, após um desencontro amoroso… ou a Volta a França em Bicicleta. Mas esta aparente falta de pathospoético levou gente a achar que a coisa oscilava entre o hipócrita e o parvo. Talvez tenha sido a leveza (provavelmente insustentável) da poesia de Hugo Milhanas Machado que orientou a não inclusão do seu trabalho no incontornável e meritório RESUMO – a poesia portuguesa em 2009. Escolhas. Etimologicamente, parvo vem do étimo latino «pequeno». Ora pequena não é a plena alegria destes poemas, nem a sua sageza. As aparências podem iludir, claro. Mas, como dizia alguém nalgum lado, os poetas não são sempre infelizes.


CLAVE DO MUNDO
Sombra do Amor, Lisboa, 2007 

Leitura de Henrique M. B. Fialho: "[...] A Clave do Mundo é um livro lento, como a paisagem que aparece na capa. Não é de leitura fácil, exige-nos uma predisposição que passa, sobretudo, por um investimento nos ritmos elípticos que caracterizam estes poemas. Epígrafes respigadas em letras de canções, à mistura com poetas consagrados tais como Cesariny ou Ruy Belo, não disfarçam a complexidade desta poesia. Começa a colectânea com um longo poema intitulado O Metrónono do Mundo. Lembra-nos uma peça de jazz, um riff a marcar o andamento entre vários improvisos. É um poema de amor que nos envia, mais ou menos voluntariamente, para Daniel Filipe (“a invenção do amor”), Natália Correia (“a defesa do poeta”), Hugo Von Hofmannsthal (“a carta de Lord Chandos”), entre outros. Mas fá-lo de modo tão disfarçado que chega a ser pretensioso denunciá-lo. As palavras dançam neste longo poema, as referências parecem aparecer de um modo automático, de um impulso solista arrancado às memórias esparsas de uma situação concreta. Segue-se um conjunto intitulado 9 Milhões de Bicicletas, tão Poucas Bicicletas (paráfrase de Katie Melua). Poemas curtos, marcados pelo movimento da repetição, novamente o amor disfarçado numa ironia elíptica, talvez um pouco envergonhada, como se cada palavra fosse uma nota musical. O poema Win e Régine (Win Butler e Régine Chassagne dos Arcade Fire) é descritivo sem o ser, é um poema sábio porque sabe adulterar, num acto poeticamente terrorista, as fórmulas simplistas da maioria dos poetas de hoje em dia. Já agora, um pouco do poema justamente intitulado Os Poetas Hoje em Dia: «Coisas tão pequenas como esta, / não a vês, é um ritmo lento e preciso / e tão hábil na evidência dos dias» (p. 59). [...]"