Hoy la piedra de la plaza, dices, que la piedra de la plaza te huele a mar, te huele mar, que va cayendo la tarde y te lo puedes volver en el dibujo de una canción, en la curva de la melodía, luego en el helado, o quizás en la piedra aun tocada por el sol, puede que el arco danzando, míralo, playa de azúcar.
28.5.15
26.5.15
Nube viola
Que cuando un mediodía de primavera te
tumbas en el césped y describes la nube que pasaba acabas bailando entre nubes
y más nubes y mil nubes no serán nunca todas las nubes, lo sabes tan bien, y
puede que incluso te duermas mientras le buscas una forma conocida, la nube
faro, la nube viola, la nube que no paraba de crecer y la nube que te adentraba en el sueño, navío de paz a través de las noches.
24.5.15
Isoldara
É desenho arco de mar, o da música em mãos, esse falar na magia que de noite continua: é um nome para começar morada, nome de boca e nome no olhar, maneira de língua de caminho. Passo na onda, acompanhado, outro passo, que vão juntos no caminho e rumam juntos o caminho. Um arco de mar a imaginar a música, sonhar por dentro do movimento, palavra de estar.
23.5.15
En un día de 1994, Revista Síneris #24
"Puede que por la noche y cuando menos lo esperes
alguna de estas canciones te acabe inventando otro nombre o quizás otra razón para
el calor, y entonces dormirías en el balanceo de un ritmo muy amplio y redondo,
tan vecino y organizado como el intervalo que suele ir desde la segunda hasta
la sexta ola de un mar increíblemente bravo y al mismo tiempo tan dulce y tan
posible que echarle de menos es ya cantarlo o es simplemente cantarlo, cadencia
conocida por mil veces adivinada en algún lugar de tu infancia, te dices,
cuando muy extrañamente o quizás no, todo lo contrario, cuando la música
parecía un lugar infinitamente llano y tu percepción del tiempo te contaba que la
música no acabaría nunca y la música te enlazaría de año en año como el único
puente, puede que no pero también puede que alguna de estas canciones te acabe
algún día animando y después meciendo el brazo, meciéndolo como quien dibuja en
el aire una palabra invisible y luego se alienta y persigue la frase completa, la
frase extraordinaria, tan valiente arte de hombros, asombrada gramática, una
música continua, infinita, que cuando un mediodía de primavera te tumbas en el
césped y describes la nube que pasaba acabas bailando entre nubes y más nubes y
mil nubes no serán nunca todas las nubes, lo sabes tan bien, y puede que
incluso te duermas mientras les buscas una forma conocida, la nube faro, la
nube viola, la nube que no paraba de crecer, puede que no pero también puede
que alguna de estas canciones te ofrezca una estrella de ésas que nos
imaginamos con mucha fuerza y tanta fuerza que luego nos olvidamos, una
estrella de querer, que no una estrella de luz, la estrella toda ella un nombre
para la resistencia, una estrella de contar y enseguida loca estrella de cantar,
el mágico salto de luz y entusiasmo en alguna canción favorita, canción umbral,
canción habitante, todas las canciones del mundo sonando a la vez en un día de
1994 y tú pensando mira estas dos palabras, arcos y bielas, las veces que por
fantasía te bastó el movimiento, el movimiento lo bastante amplio como para
resignificar el paisaje, el tono de la historia, el color de la partitura, las
canciones son así pero luego todas las canciones del mundo van acabando, no
sabes si subes o desciendes de la montaña pero allí solo hay silencio [...]"
Coluna "Perder canciones". Texto completo (em castelhano) no número 24 da Revista Síneris.
Coluna "Perder canciones". Texto completo (em castelhano) no número 24 da Revista Síneris.
10.5.15
Teatro: "Catedral", do Laboratório Performativo de Língua Portuguesa de Salamanca, 13V2015
Mostra Universitária de Artes Cénicas 2015 (Universidad de Salamanca): "Catedral", do LAPELIPOSA - Laboratório Performativo de Língua Portuguesa de Salamanca. Dia 13 de Maio, 21h, no Teatro Juan del Enzina. Mais info.
21.3.15
Bandolero em Salamanca
Spoken word exercício: Bandolero + Laboratório Performativo de Língua Portuguesa de Salamanca. La Malhablada, Salamanca, quarta-feira 25 de Março, 20h30.
5.3.15
Voo Rasante [2 poemas]
Voo Rasante, Mariposa Azual, 2015.
Poemas de: A. Dasilva O. – António Albata – Amadeu
Baptista – Andreia C. Faria – António Cabrita – António Poppe – António Quadros
Ferro – Carlos Leite – Catarina Barros – Catarina Nunes de Almeida – Cláudia R.
Sampaio – Daniel Jonas – Diana V. Almeida – Elisabete Marques – Érica Zíngano –
Fernando Guerreiro – Filipa Leal – Frederico Pedreira – Henrique Manuel Bento
Fialho – Hugo Milhanas Machado – Inês Dias – Inês Fonseca Santos – Inês
Lourenço – Ismar Tirelli Neto – Jaime Rocha – João Bosco da Silva – João Paulo
Esteves da Silva – Joana Koehler – José Luís Costa – José Mário Silva – José
Miguel Silva – Júlia de Carvalho Hansen – Leonardo Gandolfi – Luis Maffei –
Manuel A. Domingos – Manuel Margarido – Margarida Ferra – Margarida Vale de
Gato – Maria Sousa – Marília Garcia – Marta Bernardes – Marta Navarro – Matilde
Campilho – Miguel Cardoso – Miguel Castro Caldas – Miguel-Manso – Nuno Moura –
Patrícia Baltazar – Pedro Eiras – Pedro S. Martins – Raquel Nobre Guerra –
Regina Guimarães – Ricardo Domeneck – Ricardo Gil Soeiro – Ricardo Marques –
Rosa Alice Branco – Rosa Oliveira – Rosalina Marshall – Rui Almeida – Rui Costa
– Rui Pires Cabral – Rute Castro – Sónia Baptista – Susana Araújo – Tatiana
Bessa – Tatiana Faia – Tiago Gomes – Valério Romão – Vasco Macedo. Dois poemas meus: "Muitos a falar", "O encosto".
3.2.15
Entrevista com Cassandra Jordão, da Enfermaria 6
"Salamanca, seis e três da tarde,
crepúsculo. O poeta encontra-se três minutos atrasado. Nunca se deu o caso de
entrevistar um poeta e pergunto-me se haverá alguma especificidade em relação a
outro tipo de escritores. De acordo com as informações de que disponho, os
poetas tendencialmente vestem-se como hipsters e são pessoas muito
interessantes. Têm também fama de ser gente difícil: Byron dormia com a irmã,
Fernando Pessoa gostava bastante a atirar para o demasiado de bagaço e aguardente,
Manuel António Pina tinha gatos. Enquanto pondero estas questões, um ciclista
em equipamento completo passa pela montra do café. O seu meio de locomoção: a
bicicleta, evidentemente. Cinco minutos passados a prender o veículo com três
cadeados (bicicleta de corrida, investimento considerável), o indivíduo
aproxima-se. Apresenta-se como sendo o poeta que devo entrevistar, Hugo
Milhanas Machado. Duvido dele, mas não há sinais de hipsters neste tranquilo
café de Salamanca. O poeta senta-se e a entrevista começa." Continua aqui.
21.1.15
Poetas de calendário
Eis a primeira folha do calendário 2015 da Bicio Racing Team. A lançar a bicicleta ao lado do bambi quem escreve estas linhas, há uns meses, no Campeonato de Espanha para Jornalistas e sector da comunicação. Com carácter solidário, todos os benefícios da venda do Calendário 2015 destinar-se-ão ao Projecto Padre Damián, de Cáritas Salamanca.
17.1.15
O encosto
Sobramos uns dos outros
e curtidos nos ímpetos
nos recessos e chegando
forçamos as inclusões
Coisas que fiquem lemes
e aproveitem movimento
dedos podem tocar
em quase nada
Mas a técnica melhora
e sei acumular a maneira do gosto
que tinhas feito na boca
parecia até o mar ao fundo destas casas
Mas corpo afinal é o mesmo
e recordo doutro poema
em que noutro poema eu tentava
navios de barro à hora do jantar
De Onde fingimos dormir como nos campismos, Enfermaria 6, Lisboa, Novembro de 2014, p. 23. Ver versão digital do livro aqui.
16.1.15
Muitos a falar
Querer-te no peito
uma constelação de barcos
e resolver depressa isto
falar limpo como o brilho
Torna porém a imagem
o corpo rodando lento no
soco luminoso de praia
este bração nos lumes
Rasgo valente mas extenuado
tu vens correndo e escrevia
deste lado a areia é muita
molhando num toque d’osso
Dás numa luz de corpo
resoluta e audaz que às vezes lembra
o encorpar a
bater de megafones marados
Cumprimento os amigos
gosto deles e antipatizo
colaboro
e revolvo dentro nas bizarrices
Amanhar depressa isto
falar tiro limpo
como brilho
uma constelação de barcos
e resolver depressa isto
falar limpo como o brilho
Torna porém a imagem
o corpo rodando lento no
soco luminoso de praia
este bração nos lumes
Rasgo valente mas extenuado
tu vens correndo e escrevia
deste lado a areia é muita
molhando num toque d’osso
Dás numa luz de corpo
resoluta e audaz que às vezes lembra
o encorpar a
bater de megafones marados
Cumprimento os amigos
gosto deles e antipatizo
colaboro
e revolvo dentro nas bizarrices
Amanhar depressa isto
falar tiro limpo
como brilho
De Onde fingimos dormir como nos campismos, Enfermaria 6, Lisboa, Novembro de 2014, p. 26. Ver versão digital do livro aqui.
15.1.15
Folga
Ruça a roupa e o pulo não cresce
mas não parece depois baixar
se uma mão suspende o movimento
traça linho cómodo o recorte
Ela apanha do lado regenera
e quando senta quer aliviar
ela pára porque já está torta
bola retoma numa estrela igual
Risco esse risco e faço branco
num lugar do rolo e mais branco
porque o descanso é o aquece
fala e só fala decide e sacode
E branco longe uma estrela igual
lá no recosto chegado do calor
e o braço visualiza em acontecimento
o talento do pulo maluca
Dentro duramos mais folgados
e mantemos até certa comodidade
quando apouca a conversa distraímos
a ocorrência feita dicção é selvagem e
Aquela rua lá na rua da guitarra
faz aragem de quando passamos
na maneira um dia de passarmos
pisar é pisar não se vai por fora
Pois o mexer tem essa categoria
é de saltar o rijo bom nas pernas
falamos e tudo com muita força
deve ser do mexer e vai parecer
Uma terra lembrada de nós
mas se alguém afinal avança
o entusiasmo é conservador
parecemos muita gente a falar
De Onde fingimos dormir como nos campismos, Enfermaria 6, Lisboa, Novembro de 2014, pp. 14-15. Ver versão digital do livro aqui.
11.12.14
Da casa das conchas
Recorte da sessão de ontem na Casa de las Conchas de Salamanca, com Lina Rodríguez Cacho e João Guerreiro; assim se falou sobre Onde fingimos dormir como nos campismos; e quase à mesma hora, na web da Enfermaria 6, este texto de Rui Alberto Costa em que se mete no livro, monta lá a tenda, dispõe cadeiras, senta a malta, cumprimenta, faz o falar dos campismos:
9.12.14
Leitura para "Poema diz" (#OFDCNC)
Assim lê Rui Zink o poema assim intitulado, "Poema diz", o tom do livro, as maneiras das tendas (foto via perfil Facebook do autor), as coisas nos campismos.
7.12.14
Leitura para "Uma estrela igual" (#OFDCNC)
Bonita maneira de entrar no poema, esta ao lado de "Uma estrela igual", na página brasileira Letras in.verso e re.verso.
18.11.14
Onde fingimos dormir como nos campismos
Começa assim: "Generation sex is me, and you, and me". Voz e palavras de Neil Hannon à frente de The Divine Comedy num disco de 1998 já na altura chamado Fin de Siècle. Também começando, mais uma achega de Nuno Bragança que aqui se mete a desmanchar e confundir. Seguem-se as séries "Passagem", "Uso nas figuras", "Estrelas partidas", "Monte junto" e "Como nos campismos", 52 poemas nelas distribuídos, alguns deles publicados anteriormente na página web da Enfermaria 6 (coligidos alguns, entretanto, no Caderno 1) e no fascículo de Setembro de 2013 d'Os Fazedores de Letras. Onde fingimos dormir como nos campismos, edição Enfermaria 6 (2014), vem somar-se a um conjunto de livros e plaquettes de que constam: Poema em forma de nuvem (Gama, 2005), Masquerade (Sombra do Amor, 2006), Clave do mundo (Sombra do Amor, 2007), Entre o malandro e o trágico (Sombra do Amor, 2009), As junções (Artefacto, 2010), Buchas (Ed. autor, 2010), Folas (Ed. autor, 2011), Plato chico (Ed. autor, 2012), Parrillada (Ed. autor, 2012), Orla (Ed. autor, 2012), Pancartas (Ed. autor, 2012) e Uma pedra parecida (Do lado esquerdo, 2013). Aclimatando as coisas, e porque pedra muito vizinha, algumas palavras de Manuel Margarido sobre este último livro, e mais umas quantas de João Batista na revista Diverge. Sobre certa inclinação ao batuque, ao papel solto, e não muito longe, algumas observações de Henrique Manuel Bento Fialho que talvez venham agora a propósito (e estas também); trabalhando na junção, sobre o livro assim falado, estoutras palavras de Nuno Dempster, que também assim escreveu sobre um livro anterior, igualmente lido por Manuel Margarido. Dicção correctíssima, do mesmo modo, a de Jorge Afonso dizendo alguns poemas numa já muito antiga noite. Esta nota recente de Henrique M.B. Fialho também ajuda a situar as coisas, em tom de certo modo percorrido num outro apontamento de Nuno Dempster. No gostinho da polémica, já com uns anos, uma de mascarilhas, poesia e bacalhau à brás, também ali temperada.
Onde fingimos dormir como nos campismos
Enfermaria 6, Lisboa, Novembro de 2014
Onde fingimos dormir como nos campismos
Enfermaria 6, Lisboa, Novembro de 2014
17.11.14
Va de baile, Revista Síneris #20
Coluna "Perder canciones". Texto completo (em castelhano) no número 20 da Revista Síneris; ver colunas anteriores no arquivo geral da revista ou no indíce da barra lateral deste blog.
12.11.14
Javier Cercas, "El impostor"
Movendo as leis das fronteiras, no seco do texto, saco bruto da prosa, El impostor, de Javier Cercas (Literatura Random House, 2014).
10.11.14
Eduardo Berti, "La mujer de Wakefield"
O tamanho da segunda vida, rua ao lado, corpo o outro, tão perto, contado por Eduardo Berti. A ler: La mujer de Wakefield, Tusquets, 1999.
22.10.14
Uma ponte na praia, poema na Enfermaria 6
Um poema bem pode ser uma ponte na praia. Mais uma vez, entregue aos cuidados da Enfermaria 6, aqui. Entoar quando pedimos / nomes de constelações / bocados de terra favorável / poderemos ali sentar? Série completa, nesta ligação.
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