23.9.14

Bolaños

Arrumo cadernos, apontamentos dispersos, sublinhados de leitura nos livros de Roberto Bolaño, marginalia, glosas. Reponho visualmente alguns dos volumes dispostos na estante, e a ordem é a seguinte:   

Amberes - Outubro 2009, Salamanca
2666 - Outubro 2009, Salamanca - Covilhã
Amuleto - Novembro 2009, Salamanca
Los detectives salvajes - Dezembro 2009, Salamanca - Peniche
Las putas asesinas - Janeiro 2010, Salamanca
Estrella distante - Fevereiro 2010, Salamanca
Entre paréntesis - Março 2010, Salamanca
Llamadas telefónicas - Abril 2010, Salamanca - Bilbao
Nocturno de Chile - Maio 2010, Salamanca
Tres - Junho 2010, Salamanca - Zamora
El Tercer Reich - Julho 2010, Salamanca
Los perros románticos - Julho 2010, Salamanca
El gaucho insufrible - Setembro 2010, Salamanca
Monsieur Pain - Outubro 2010, Salamanca - SudExpress Hendaye - Lisboa
La literatura nazi en America - Novembro 2010, Salamanca
La pista de hielo - Janeiro 2011, Salamanca
Los sinsabores del verdadero policía - Janeiro 2011, Salamanca
Una novelita lumpen - Fevereiro 2011, Salamanca
La universidad desconocida - ainda 
   
Ou mais ou menos isto, às vezes uns sobre os outros. De qualquer forma, o elenco não deve fugir muito à minha sintaxe pessoal de Bolaño: uma trajectória torta, toda ela póstuma e lutuosa, lendo cada livro a olhar para o lado, e evitando certas reverberações portuguesas (sim, traduções, comentários), mais não seja porque gosto de histórias, e que as suas palavras falem por si mesmas, e em si mesmas, se são capazes, e estas são. Soberanas e pobres, ruborizadas. Revejo as últimas páginas de 2666, com a Serra da Estrela ao alto; a profundíssima emoção num pequeno parágrafo de Amuleto, o de "estaban cantando"; uma tarde na piscina dividida com Udo Berger e os seus wargames; as últimas linhas de Pain, no comboio de volta a Espanha.  A porta de entrada nessa definitiva universidade desconhecida e do primeiro sol de toda a Península Ibérica, o de Blanes, Catalunha.  

Roberto Bolaño











   
           

5.8.14

Diários da Grandíssima

Série de crónicas sobre a 76ª Volta a Portugal em Bicicleta a acompanhar, diariamente, antes ou depois da etapa ou mesmo em corrida, na página facebook de La Biciteca - Portugal

7.7.14

Jenn Díaz, "Mujer sin hijo"


Mujer sin hijo, Jenn Díaz, Jot Down Books, Sevilla, 2013. Um dar à luz, dar luz, esse dá-me luz. Virginia Woolf dá o mote: "Uno no puede traer hijos a un mundo como este". E que já tinha saído, que já não estávamos juntos. 

6.7.14

"Estação 2012", de Henrique M.B. Fialho


Estação 2012, novo livro de Henrique Manuel Bento Fialho, em edição Mariposa Azual (2014). Vide mais informação e roteiro de poemas, aqui.  

3.7.14

O "Caderno 2" da Enfermaria 6


[Transcrevo da página da Enfermaria 6:]

Amadeu Baptista | Andreia C. Faria | Catarina Santiago Costa | César Rina | Daniel Francoy | Dirceu Villa | Duarte D. Braga | Emanuel Amorim | Fernando Guerreiro | Isabel Milhanas Machado | João Miguel Henriques | João Moita | José Manuel Teixeira da Silva | Luís Ene | Manuel A. Domingos | Miguel Cardoso | Nuno Brito | Patrícia Lino | Paulo Kellerman | Paulo Rodrigues Ferreira | Raquel Nobre Guerra | Rui Almeida | Samuel Filipe | Tatiana Faia | Victor Gonçalves | Victor Heringer | György Petri / João Miguel Henriques et al (trad.) | Nick Laird / Hugo Pinto Santos (trad.) | Salvatore Quasimodo / João Barcelos Coles (trad.) | Cassandra Jordão 

Capa: João Alves Ferreira


Uma versão impressa deste livro pode ser comprada na Fyodor Books ou enviando-nos a sua encomenda para enfermariaseis@gmail.com.

A Enfermaria 6 é uma plataforma editorial sem fins lucrativo. Todo o dinheiro resultante da venda dos exemplares será usado para financiar futuras publicações.

26.6.14

Kayak

Tu dizes que imagine
a milhões de quilómetros
onde noutra terra o mar
encoste e tu vais estar

Onde água brinque e
pelos lados sai um kayak
vão dois longe vão os gajos
mas não chegam lá

Tornam navios à lota
apita como todos os dias
uma onda vem voltar
as pedras miúdas 


Uma pedra parecida, Do lado esquerdo, 2013. 

20.6.14

Um pouco acima da miséria


De Um pouco acima da miséria (XXIX Prémio de Poesia Cidade de Ourense, 2013) , novo livro de Amadeu Baptista, transcrevo poema publicado por Nuno Dempster no blog A Esquerda da Vírgula

IRENE PAPAS ENTOA VERSOS DESCONHECIDOS NO EPIDAURO AQUANDO DA INVASÃO ALEMÃ DA GRÉCIA

Venho com figuras de deuses no meu corpo
e estou a cantar. Na mão esquerda trago
uma camisa de linho e, na direita, uma bandeira
azul e a proa de um navio. Invoco os talismãs
propícios e sobre o promontório procuro a luz
de outrora e a que há-de vir. Eu e o meu povo
sabemos que desígnios transparecem
nos golpes que sofremos. 

19.6.14

Uma quadra

Mostrados os desenhos todos do barco 
canto um modo longe no embalo da vaga
saber onde fica onde inventar a praia
esse tal pau na quadra levantado

Salamanca, 19 de Janeiro de 2014  

3.6.14

Prosa del otoño en Gerona

El autor suspende su trabajo en el cuarto oscuro, los muchachos dejan de luchar, los faros de los coches se iluminan como tocados por un incendio. En la pantalla sólo veo unos labios que deletrean su momento Atlántida. 

Roberto Bolaño, La Universidad Desconocida, p. 268.

29.5.14

A lota continua (e uma antologia a fazer)

Um poema de Clave do mundo (Sombra do Amor - edições, 2007), recordado por Henrique Fialho no seu blogue, "Antologia do esquecimento", em série sobre poetas portugueses do Século XX. É aqui