12.2.14

Mi querida bicicleta (ed. La Biciteca, 2014)


A livraria La Biciteca estreia-se na edição em nome próprio com esta nova impressão de um clássico de Miguel Delibes e da literatura de natureza velocipédica. Com ilustrações de Luis de Horna, a reedição de "Mi Querida Bicicleta", primeiro volume da colecção Re-Ciclados, será apresentada na Livraria Hydria de Salamanca, no próximo dia 13 de Fevereiro, às 19h30. Mais informação, aqui.  

5.2.14

"Fibra do anjo", poema novo, na Enfermaria 6

Novo poema na Enfermaria 6. Desta vez, na fibra do anjo, aqui

4.2.14

A terra do meu regresso

Título de um novo poema publicado na revista Enfermaria 6, a ler aqui. Do conjunto inédito Onde fingimos dormir como nos campismos.    

28.1.14

A camisola dos poemas


Eis o maillot para 2014 da BICIO RACING TEAM, prestes a ser estreado em estradas e caminhos um pouco por toda a Península Ibérica. Autêntico ciclismo amateur, compromisso panache, a camisola dos poemas. Com o apoio de La Biciteca, Mum's Hand e Projectxu. #BicioRacingTeam 

30.12.13

As coisas de Peniche

Escrevi há uns anos atrás um pequenino poema, "O amor é português", publicado em 2010 no livro "As junções" (Artefacto Edições), que dizia:

Depois bate fundo o mar
ali onde as pedras encostam
e há anos sobravam as pedras
pedras redondas ao sol

Era tudo um bocado exagerado, mas hoje apercebi-me, ou intuí, em manhã de curva final do ano, balanço também meloso, que o amor se calhar também é penicheiro, que o amor é do mar em Peniche. Pela mesma altura daquele poema, não muito longe, escrevi "O espanhol", último poema da série "20 E TANTAS BUCHAS COM PIRATAS", publicado em "Uma pedra parecida", já este ano, pela Do lado esquerdo. Nele leio:

Bem parado
já não me torna
aqui o mar

Vou à praia e
recolho umas pedras
que se vão deixando
lá por casa
mas não ligo

O mar por vezes chega
eu amarrei nele com força
mas aquilo foi-se esfrangalhando
e é só isso


E depois recordo um terceiro poema, mais antigo, sobre a praia do Molhe-Leste, publicado em "Clave do mundo" (Sombra do Amor - Edições, 2007), mas não o tenho já presente. 

12.12.13

Dia dos anos


Camané, "Adeus Que Me Vou Embora" 

Dia dos anos



Beady Eye, "The Beat Goes On"

11.12.13

"Convergências", poema novo, na Enfermaria 6


"Passa a tua mão abrigada / falo de cheiros luzes espalhadas / digo que arranjas com ferros o mar", remate de poema novo publicado na Enfermaria 6. A ler, aqui

8.12.13

Da madeira das vozes


No novo número - o 14 - da SÍNERIS - REVISTA DE MUSICOLOGÍA, um texto mais na coluna "Perder canciones", desta voz à volta das minhas mais generosas vozes de mulher, vozes de madeira. A ler, aqui

3.12.13

Uma biblioteca a pedal


A conhecer, desde Salamanca: La Biciteca, a pedal e para valentes, juntando o ambulante cheiro dos livros às ferragens das máquinas. Transcrevo: Dice la RAE que el sufijo -teca significa “lugar en el que se guarda algo; cajita donde se guarda una reliquia”. La Biciteca aspira a ser eso: Una cajita llena de tesoros. Habrá libros, películas, canciones, pintura, fotografía, ropa, bicicletas míticas, piezas exclusivas, accesorios...Y como la caja no tiene cerradura, estará abierta para que todo el mundo pueda aportar tesoros... o llevárselos! Também em blog, e no Facebook.

19.11.13

"Muitos a falar", poema novo, na Enfermaria 6


Um poema novo, "Muitos a falar", publicado na revista online Enfermaria 6. Ver aqui, "Amanhar depressa isto / falar tiro limpo / como brilho". 

14.11.13

"Vozes de madeira", na Radio Universidad de Salamanca

Escolhidas algumas vozes de madeira e as canções dessas vozes, estarei esta noite (23h00, hora espanhola) no programa "Lo que esconde la voz", de Lina Rodríguez Cacho, na Radio Universidad de Salamanca. As palavras do encontro são mesmo estas: vozes de mulher, vozes de madeira, timbres e abraços emprestados. Para ouvir em 89.0 FM por terras de Castela e Leão e via web na página www.usal.es/radiouni. Para breve uma extensão do programa, batida em texto, no iminente número de Novembro da Síneris - Revista de Musicología.

13.11.13

Quarta-feira 13, na Casa de Las Conchas de Salamanca


Fotografia de Henry Diltz

Por ocasião do XX Aniversário da Biblioteca Pública de Salamanca, Casa de las Conchas, leitura de poemas com Andrés Catalán, a partir das 19h00, na secção de poesia da biblioteca. Quarta-feira, 13 de Novembro de 2013. Programa completo, aqui

5.11.13

"Folga", poema dos campismos

Ruça a roupa e o pulo não cresce
mas não parece depois baixar
se uma mão suspende o movimento
traça linho cómodo o recorte

Ela apanha do lado regenera
e quando senta quer aliviar
ela pára porque já está torta
bola retoma numa estrela igual

Risco esse risco e faço branco
num lugar do rolo e mais branco
porque o descanso é o aquece
fala e só fala decide e sacode  

E branco longe uma estrela igual
lá no recosto chegado do calor
e o braço visualiza em acontecimento
o talento do pulo maluca

Dentro duramos mais folgados
e mantemos até certa comodidade  
quando apouca a conversa distraímos 
a ocorrência feita dicção é selvagem e

Aquela rua lá na rua da guitarra
faz aragem de quando passamos
na maneira um dia de passarmos 
pisar é pisar não se vai por fora

Pois o mexer tem essa categoria
é de saltar o rijo bom nas pernas
falamos e tudo com muita força
deve ser do mexer e vai parecer 

Uma terra lembrada de nós
mas se alguém afinal avança
o entusiasmo é conservador
parecemos muita gente a falar



Poema do conjunto "Onde fingimos dormir como nos campismos", publicado no boletim de início de ano lectivo de Os Fazedores de Letras

30.10.13

Revista Síneris: "El traje de los cantores"

Novo texto, em castelhano, da série "Perder canciones", em curso desde Maio de 2012 na Síneris - Revista de Musicología (Madrid). Transcrevo como começa:

Es casi mediodía, ¿pero qué importa qué hora es?, y suena la imponderable sintonía de un ascensor en la ciudad, notas cortas como chispazos de luz. Estás de paso, meditas, te sobra algo de tiempo y voluntad, puedes acompañar la melodía, definir en algún hueco de tu interior el timbre de estos sonidos, tal vez puedas incluso falsear alguna que otra palabra de la frase y cantar con tu mejor voz. Aquí empiezo, aquí empiezo. Reconoces la estructura, el dibujo del tema, la quiero cantar, dices con toda convicción. La melodía recorre el perímetro de un estribillo, ese corto y angular hallazgo emocional de la canción, la cumbre posible de un remoto y plausible entusiasmo. Es un buen truco, éste: el viaje alegoriza la duración del estribillo de un éxito más o menos obvio, y la deflación de equívocos es tal que el viaje es el mismísimo estribillo, piensas. No hay viaje sin su estribillo. Lo que es lo mismo: no hay buen estribillo que no imagine un viaje. (continua)

23.10.13

Os poemas os leitores e as máquinas


Boneco da leitura de poemas de ontem à noite, no intervalo das máquinas da Estação de Santa Apolónia de Lisboa. Deu para ler cada um dos poemas de Uma pedra parecida, em lance contínuo, mas sobretudo isto: juntar amigos de lugares diferentes da vida num mesmo banco de madeira. Nós somos nesta madeira. 

21.10.13

21/10, leitura de poemas nos comboios. Ponto de encontro: fachada da Estação de Santa Apolónia, 20h00


Segunda-feira, 21 de Outubro, 20h00
Estação de Santa Apolónia, Lisboa

Encontro ferroviário para leitura de poemas de "Uma pedra parecida" (do lado esquerdo, 2013). Na Estação de Comboios de Santa Apolónia, Lisboa, pelas 20h00, ao lado das máquinas. Vale trazer umas buchas. Oportunidade, igualmente, para distribuir uma segunda impressão do conjunto ORLA (2012).

Mais informação, aqui

15.10.13

ORLA, 6 poemas (faz quase um ano)


plaquette, ed. autor, Salamanca, 2012


Dois dos seis poemas que integram a fotocópia: 


A pedra da duna

Bateu de torso aquele vento
no regresso salgadão de uns amigos
que barcos novos barcos comidos
nos faz imitar mais formas

Havia aqui cimento disseste
a tinta lascada de outros anos
o faz palavras que não queremos decorar
cimento e que o nome tem cheiros

Depois meteu-se o sono e o vento
dava mais do mar e mais da terra
o que o poema algum dia vai fazer
é chegar o aspecto da gente por aí


Orlas

Todo este pasto
no meu pedal
e brilhantes
os teus sapatinhos

Uma linha dura
fato de água nos olhos
e nós que não percebemos
mas só vale assim

Terra pequena terra roxa
os sons quando logramos
distraídos enganar a gaja
confiar um pouco

14.10.13

"O mexer", poema a rodos

Sacudir é sacudir
lavando
ó tempo as tuas pirâmides
recosto do braço e madeira da castanha
fofa boina está molhada
no apoio da cadeira

Ó tempo as tuas pirâmides
falou assim quando eu lembro
chego à voz dificulto
vou agarrando e enfim
tenho essas impressões
que vai começar a escrever

E tu sabes tu encontras
aguça e é vermelho de lugar
uma barulha comoção que ver de lado é chefe
e acontece em muita coisa
quando começamos a trabalhar

Depois
things as they are continuavas
como escondendo barco de boca
are changed upon the blue guitar
faz Wallace Stevens no teu som
faz esse som meloso da gente
naqueles bocados ficar

O tempo as tuas pirâmides
enche longe como vela latina
engraçamos espessa a companhia
e isto tem força
mas vai reparar mais tarde
e é o balanço o vibrar da corda
a iniciativa no prazer
é o nariz

Artifício o efeito da bucha
nós calando à refeição
que o sossego é inteligente
pensamos nós
que desenvolvemos noutros anos e insistimos

Que repete a camisola
da República da Irlanda
troncos grossos na chuva
um jogo que foi num dia
e fina a movimentação
lateral o rosto que aparece
branquinhas rodelas do mar
engrossa jovem para falar
no planalto sucumbir de discursos

Mas quem era quem ficava?
agora vem batendo com força
um jogo de paus e mais gangas
o sabor marinho dos paus
quando fica a falar comigo
e teu rosto é mais pedra clara
balanço nos números

O divertimento um dia tivemos
e que agora dá para cantar

A família contada
e noite em que já não chove

Dizia tem força
que temos a letra parecida

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Nota 1: Este poema ir-se-á fazendo e desenvolvendo aos bocados, maneira de paciência, montagem e articulação. É um poema que continua, e que no gesto diz: o poema continua, ou bem mais simplesmente, poema continua. Quer por isso ensaiar, explorar, divertir anomalias. (A anomalia, princípio - detonante - estético bem notado por Henrique M.B. Fialho neste texto a propósito de As junções.) Forçar cartilagens, respirar delas, castigando carnes e significantes que pareçam carne. Como que aprendendo a começar, travesso, interessado na consistência da fibra. Penso na fibra, quando músculo e osso, solidez e fome, se confundem. (Abril de 2012)

Nota 2: O poema, que aqui aumentava, há coisa de um ano, mora agora em grupo ainda inédito que vai levar por título assim: Onde fingimos dormir como nos campismos. O gesto de publicação do livro não invalida, porém, que o poema por aqui se continue e desdobre em mais poema. Acrescento também que uma versão do texto foi recentemente publicada em folhetim de Os Fazedores de Letras