HUGO MILHANAS MACHADO

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14.6.13

A montanha a brincar

Disse assim, logo traz o copo. E o cão, tem fome. É a montanha a brincar nas tuas coisinhas.

12.6.13

Em casa ver o mar

Se calhar em casa ainda pode ver o mar, e vai ser o melhor mar, vão ver.

11.6.13

Isto vai entrando na gente

Começa a entrar na gente, diz, mas é tão lento. Vou lá baixo comer uns bolos, enrolo por aí, é assim. Isto vai entrando na gente, vai ficando, e depois eu começo a entreter-me, vou atrás de coisas e pego nos assuntos como se calhar antes não fazia. Custa muito, as portas, as comidinhas.

10.6.13

Aqui é nenhuma casa

Leio a tua frase como motivo de força maior, e uma pessoa que esteja disponível, essa pessoa que nos faz falta e companhia, essa pessoa da companhia. O tocar do telefone, de noite, aquilo a tocar, a subir no silêncio da casa, de nenhuma casa. Tu dizes e eu só fico nisso, é nesta curva palavra que eu encosto e humedeço, eu sento e até sossego. Somos todos, ficamos menos. Aqui é nenhuma casa.

7.6.13

Os sítios onde eu gostava de ser feliz

Diz-me ele para trabalhar com a maré, como se eu soubesse. Mas ainda tirámos uns peixes valentes, lá naqueles buracos da praia, aqueles no meio, os das pedras não, éramos para aí os últimos. O carreto até se passava, o gajo ali a dois metros, pum, e eu para trabalhar com a maré. O gajo ficou todo lixado. A noite escura, a dourada a arrastar pela areia. São os sítios onde eu gostava de ser feliz.

6.6.13

Eu fico a fazer festinhas

Monto uma tenda aqui, disse a irmã, uma tenda para eu dormir mais perto e amanhã acordar a teu lado e chegar-te a roupa. Mas tenda mesmo a sério, fecho corrido, lancheiras, uma tenda como a que a gente tinha na praia, aquela toda velhinha onde a gente dormir. Velhinha, mas ainda dava. Sim, a gente cabe sempre todos juntos, diz. Monto uma tenda, vais ver. Monto aqui a tenda e fico a fazer festinhas.

5.6.13

Pessoas mais rijas

Somos oito ou nove na sala e estamos na espera, diz, eu sou este mas tu não és assim, não foi assim quando aqui nos sentávamos ontem. O hospital tem estas cores, faz estes trabalhos beras no rosto, conhecemos e esquecemos, vamos comendo, comemos mesmo muito e parece que nos fazemos cada vez mais iguais, diz, tu e eu somos hoje mais tu e eu do que éramos ontem. Somos pessoas mais rijas.