15.1.15

Folga

Ruça a roupa e o pulo não cresce
mas não parece depois baixar
se uma mão suspende o movimento
traça linho cómodo o recorte

Ela apanha do lado regenera
e quando senta quer aliviar
ela pára porque já está torta
bola retoma numa estrela igual

Risco esse risco e faço branco
num lugar do rolo e mais branco
porque o descanso é o aquece
fala e só fala decide e sacode  

E branco longe uma estrela igual
lá no recosto chegado do calor
e o braço visualiza em acontecimento
o talento do pulo maluca

Dentro duramos mais folgados
e mantemos até certa comodidade  
quando apouca a conversa distraímos 
a ocorrência feita dicção é selvagem e

Aquela rua lá na rua da guitarra
faz aragem de quando passamos
na maneira um dia de passarmos 
pisar é pisar não se vai por fora

Pois o mexer tem essa categoria
é de saltar o rijo bom nas pernas
falamos e tudo com muita força
deve ser do mexer e vai parecer 

Uma terra lembrada de nós
mas se alguém afinal avança
o entusiasmo é conservador
parecemos muita gente a falar

De Onde fingimos dormir como nos campismos, Enfermaria 6, Lisboa, Novembro de 2014, pp. 14-15. Ver versão digital do livro aqui.