30.12.13

As coisas de Peniche

Escrevi há uns anos atrás um pequenino poema, "O amor é português", publicado em 2010 no livro "As junções" (Artefacto Edições), que dizia:

Depois bate fundo o mar
ali onde as pedras encostam
e há anos sobravam as pedras
pedras redondas ao sol

Era tudo um bocado exagerado, mas hoje apercebi-me, ou intuí, em manhã de curva final do ano, balanço também meloso, que o amor se calhar também é penicheiro, que o amor é do mar em Peniche. Pela mesma altura daquele poema, não muito longe, escrevi "O espanhol", último poema da série "20 E TANTAS BUCHAS COM PIRATAS", publicado em "Uma pedra parecida", já este ano, pela Do lado esquerdo. Nele leio:

Bem parado
já não me torna
aqui o mar

Vou à praia e
recolho umas pedras
que se vão deixando
lá por casa
mas não ligo

O mar por vezes chega
eu amarrei nele com força
mas aquilo foi-se esfrangalhando
e é só isso


E depois recordo um terceiro poema, mais antigo, sobre a praia do Molhe-Leste, publicado em "Clave do mundo" (Sombra do Amor - Edições, 2007), mas não o tenho já presente.