24.1.13

Sobre certas imagens do "Vai e Vem" de JCM, na vela portuguesa de 25/01

Lembro com frequência aquelas palavras do cineasta português João César Monteiro sobre a duração das imagens como segredo do cinema. Não é exactamente assim que diz, o segredo veio agora, mas no entanto recordo as palavras mais ou menos nestes termos, e depois começo logo a pensar em madeiras, nas imagens como madeiras e paus que, por uma qualquer vontade, vontade expressa e rebocada, se combinam e se encontram, imagens que são madeiras e que têm mesmo o cheiro das madeiras quando chove. Não sei bem se escutei estas palavras de João César Monteiro nalguma gravação, nalguma entrevista, se as li, não sei, mas recordo perfeitamente a ocasião de estar a ver ou ir começar a ver um filme de João César Monteiro, e termos pensado (quem?, quantos lá estávamos?) um pouco à volta do tom empregue nesta consideração. O que também é certo é que visito de vez em quando estas ideias, penso nisso da duração, na duração das palavras achadas juntas em frases do português, sento-me perto e tento perceber o tamanho, afinal, das durações. O que dura e como dura. O que digo de um modo e que podia dizer doutro, nos mesmos tempos, e quase com vontades semelhantes.

Na coluna "Vela portuguesa" da edição de sexta-feira 25 de janeiro do Diario de Salamanca.