16.12.12

Sobre "Plato chico"




Abaixo, recorte de "A arte de agrafar poemas", texto publicado por Henrique Manuel Bento Fialho no seu Antologia do esquecimento. Ligação para o texto completo, aqui

"Já Plato Chico põe-nos a dançar. Tenho uma teoria nova, muito recente. Os melhores poetas são DJs frustrados. Hugo Milhanas Machado é ciclista, não sei se pedala nas pistas de dança. Pelo menos, tem a estranha capacidade de fazer dançar a leitura. Atira-nos com o mar às trombas em dias deprimentes, mete-nos a pensar em palmeiras e miúdas inesquecíveis quando somos já tão-somente uma memória perdida nos labirintos do passado. Um crítico tenderia a falar de elipses, mas o crítico não dança. Limita-se a bater o pé, muito contidamente, como que temendo gastar os músculos à medida das solas. Por isso terá sempre dificuldades em perceber as frases escangalhadas, o passo lento de quem mais que passar pelas coisas contempla-as e se deixa absorver por elas para nelas se sentir alguém. O mérito destes tão parcos poemas é fazerem-nos delirar, cobram-nos a postura com uma espécie de irresistível tentação. Não é preciso citá-los, na medida em que se não cita a terra onde se plantam árvores de fruto. Simplesmente apontamos as coordenadas do texto e tudo vimos convergir para um lugar onde dá vontade de, digamos, dançar."

Plato chico, edição bilingue, tradução de Rebeca Hernández. Valencia, ed. autor, 2012.