18.12.12

É voz no mar


Fotografia de Giulia Knop


[...] Depois é noite e tornamos por bares de música redonda e o correr dos passos bate noutros e conhecemos, falamos idiomas estrangeiros. Dizemos estar ali, e por isso só estamos ali, que a noite de Lisboa acaba em Lisboa. Outra vez o balanceio negro no branco das pedras da calçada no centro da cidade. Um pequeno caminho dos amigos, um pequeno caminho para sempre. Quando tudo parece muito mais estranho e voltamos a esquivar e a fazer as mesmas ruas, o ângulo de certos edifícios e os dentes de torres espetados no céu da cidade. Canas aos peixes no rio, um cacilheiro longe, no cor-de-rosa calmo da água. Vai para onde, perguntamos, agora que de novo a maré recolhe e deixa a descoberto o limo nas lajes e a neblina parece um palácio grego.

Vide texto completo na página do Diario de Salamanca, aqui
"Uma voz no mar: a Lisboa das fotografias de Giulia Knop", Diario de Salamanca, 14/12/2012.