8.4.12

As pedras de Tom Boonen

A 50 e alguns quilómetros do velódromo de Roubaix, azul curtido, lá foi ele, um cavalão em movimento, 53 dentes, à conquista da quarta pedra do Inferno do Norte. Tommeke, mão descalça, o mais rijo na Ronde Van Vlaanderen de há uma semana, herói de direito no pavé de Carrefour de l'Arbre.

(Um dia depois, fotografias à frente, dá para intuir a valentia naquele primeiro ataque, felino, no momento da junção dos grupos dianteiro e perseguidor. A gente não sabe - ou não sabia, ou não queria a corrida assim - mas naquele arranque suicida, com tanta pedra por diante, Tom Boonen, genial, emulando a máquina de Cancellara na edição de 2010, escangalha toda e qualquer táctica de corrida. Uma lição de panache.)

(A imagem repetida, uma e outra vez, é tremenda: Boonen e Terpstra, equipier da OPQS, ralentizando cadência ante o reagrupar forçado pelo esquadrão da Sky, liderado por Flecha; a indecisão do grupo de novo cabeça de corrida, olhos nas pernas, contagem de elementos, quem está e quem não está: corrida bloqueada. Boonen e Terpstra, a lo suyo, bicicletas para a frente. Cinco quilómetros volvidos claudica Terpstra - que concluirá quinto no Velódromo de Roubaix -, incapaz de seguir o seu líder; Tommeke aperta, 10, 25, 40 segundos de vantagem. Já ninguém o agarra.)

(10.04.2012. Repetem a prova logo à tarde. E se a 60 quilómetros da meta fingíssemos não saber que Boonen está prestes a rebentar e decidir a corrida?)