10.8.11

Mês no meio

Agosto tem uma maneira bem deitada, falo da vista, roupas certas, sandálias com quase dez anos mas válidas. Levantamos: estão aí para as curvas. É o gosto da duração, de fazer repetir no tempo. Se calha pisar onde num outro dia já se pisou, ou um bocadinho ao lado. Ver aparecer de ano para ano, com ligeiras diferenças, algumas definitivas. Uma canção para os dias em que cá estamos e que depois levamos connosco, depositando nela um estranho e bonito tipo de propriedade. Estranha, porque é de outros. De outros que nos fazem as músicas cá dentro. Os livros, as paisagens, até peças de roupa. São praias, contundência de gestos, fragilidades a sal, as coisas presas na gente.