9.2.11

K3, de Nuno Dempster


Nuno Dempster, K3. Lisboa, &etc, 2011.


[do blogue do autor, A Esquerda da Vírgula]


[leitura de Henrique Manuel Bento Fialho]

Não sei se foi no próprio Wittgenstein, se no filme que Derek Jarman lhe dedicou, que um dia vi a experiência da guerra declarada como a única verdadeiramente elucidativa do sentido da vida. É provável que assim seja. Tratando-se de uma experiência que nos coloca no centro de uma situação-limite, a guerra apresenta-nos ao que enforma a existência do homem: do medo à esperança, passando pelo sentimento da insignificância que em tudo medra. A consciência de que o que existe pode, de um momento para o outro, desaparecer sem deixar rastro é, pois, a consciência da vida tal como ela é. Assim sendo, não admira que algumas das melhores obras literárias, cinematográficas, pictóricas que a história consagrou tenham a guerra como cenário ou objecto de reflexão. A poesia não escapa. Agora que se comemoram, salvo seja, 50 anos sobre o começo da guerra colonial portuguesa, voltamos a ter em verso ecos dessa experiência traumática. Para além dos poemas que Fernando Assis Pacheco consagrou ao tema, e que para mim continuam a ser os melhores, não há nada que se compare, no plano nacional, a K3 (&etc., Janeiro de 2011), o mais recente livro de Nuno Dempster.