16.1.11

Pernas escuras

Uma terra amanhece e não existe. Espessa, pontilhada de esguias sombras movendo depressa a luz. Desço à rua, tomo um café com leite na Taberna Pinto, passo os olhos pelos jornais do dia. É domingo e Salamanca vai aparecendo nas ruas, subindo das portas aos telhados das casas, para lá do vidro vejo pernas esgueirando-se entre a névoa, acompanho algumas dessas pernas, e depois desaparecem no prédio ao lado. Branca, branca a terra. Um lugar que não existe, e lembro: em minha língua Espanha não tem ruas.