11.1.11

11.1.11

Saímos da pastelaria, tudo devidamente acordado, sem espinhas. Já não tinha dúvidas, a coisa sairia bem, desse por onde desse, estávamos todos metidos no mesmo. Caindo, caímos mesmo todos, pensei, e intuía certa alegria nesse pensamento. Tornávamos à Avenida de Berna, já sem pingo de chuva, e detendo-nos num semáforo, disse-me aquilo:
- Hoje é um dia que acontece uma vez na vida.
- E isso?
- Então não vê? Está um dia que parecem estacas cravadas na terra, facas metidas na barriga, meu caro.
- O meu amigo também não faz por menos... - Enviei o olhar para o outro lado da rua, reconhecendo entre as pessoas que esperavam igualmente pelo verde um antigo colega da faculdade.
- Julga que andamos a brincar, não? - Continuou, no momento em que o sinal abria.
- E que horas são isto?
- Nem imagina, meu caro...