5.1.11

09.30h, Peniche

Insisto e digo: o meu mar é mesmo daqui, é nestes rochedos que a minha maneira encosta, só assim, nestes feitios e antipatias, roupas beras, mascarradas e cheias de estilo, flanelas e gangas, famílias inteiras criadas a bordo, crianças feitas em navios, tudo moreno, gente que deitando noutras camas deixa sempre um rasto digo eu azulado de sal e areia. Só pode ser azul e saber a salmoura, demorar muito na língua como a pimenta e o azedo das conserveiras de pescado. Deve haver mais sítos assim, eu já tentei esses lugares, parei por aí. Mas em tanta casa feia e corpo castigado é tudo real, não tem máscara, cada um por seu lado, um ano depois do outro, quando a gente tem tempo e vem. Em Peniche é sempre tudo junto. 

praia de Peniche de cima, 05 Janeiro 2011