13.11.10

[estranhando] "La viuda del ciclista", Alejandra Pizarnik

Tarde de Outono numa cidade espanhola, roupas aconchegadas. Duas horas para ocupar no centro comercial, subir e descer escadas rolantes, separar e memorizar cheiros. Deve haver um livro por aí à espera, descansado, com um largo historial de invisibilidade e reserva, um livro por abrir. Digo isto mas deveria se calhar acrescentar: por abrir à minha maneira, normalmente ali pelo terceiro quarto do volume, em zona reveladora, outras vezes, é certo, talvez a maioria, em zona escusa, irreconhecível. Mas dizia: um livro entalado com diligência numa destas prateleiras, organizado num fazer de conta segundo familiaridade de naturezas, e deve ser estrangeiro. O autor deve ser estrangeiro, e sobretudo a língua. Estrangeira. Tem de ser de fora. Certo é que em nenhuma circunstância o devo procurar à altura dos olhos, e devo mesmo considerar uma eventual arrumação descuidada. Abro este, grosso, desta vez em zona menos avançada, a páginas 104-105. Título: "La viuda del ciclista". Alejandra Pizarnik, Prosa Completa, Barcelona, Lumen, 2009.